quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Problemas gerais da norma-padrão da Língua Portuguesa e os erros mais comuns

Olá, terráqueos! Demorei, mas voltei. Estou trabalhando em algo especial sobre a nova reforma e, para que não exista um hiato muito grande, resolvi fazer essa breve explicação sobre alguns problemas muito observados na Língua Portuguesa.



Prontos?


Mal (com L) e Mau (com U)

Mau, que sempre é adjetivo, é antônimo de BOM, logo, refere-se a um substantivo. Observe:

O garoto não é mau aluno.
Escolheu um mau momento para falar.

Perceba que acima, ao substituir o adjetivo pelo seu antônimo, as orações não perdem o sentido.

Mal pode ser:

1. advérbio de modo (seu antônimo é BEM).

Comportou-se mal durante a reunião.
Sua resposta foi mal redigida.

2. conjunção temporal (equivale a LOGO QUE).

Mal chegou, saiu.
Mal entrou na sala de aula, foi logo conversando.

3. substantivo (quando precedido de artigo ou outro determinante).

O mal não tem remédio.
A ciência descobriu a cura daquele mal.

Até aqui tudo bem? Próximo!


Onde/ Aonde

Emprega-se aonde apenas com os verbos que dão ideia de movimento. Aonde equivale a para onde. Observe:

Aonde você vai tão apressado?
Aonde nos leva com tal rapidez?

Já com os demais verbos, que não dão ideia de movimento, emprega-se onde.

Onde você mora?
Onde estão os óculos que deixei aqui?

Cidade Negra, “Aonde você mora/ Aonde está você?” licença poética, sim, mas está errado de acordo com a norma-padrão! Atenção.


Cessão/ Sessão/ Seção

1. Cessão significa ato de ceder, ato de dar.

Ele confirmou a cessão dos bens a uma instituição de caridade.
A cessão do terreno para a construção do estádio agradou a todos os torcedores.

2. Sessão é o intervalo de tempo que dura uma reunião, uma assembleia, um filme no cinema.

Assistimos a uma sessão de cinema.
A câmara reuniu-se em sessão extraordinária.

3. Seção significa parte de um todo, subdivisão, segmento.

Lemos a notícia na seção de esportes.
Compramos os presentes na seção de brinquedos daquela loja.

Logo: a SEÇÃO do supermercado é com Ç e a SESSÃO do cinema é com SS. Entendidos?


Há/ A na indicação de tempo

Utiliza-se:

1. há, para indicar tempo passado (equivalendo a faz).

Ela não toma refrigerante dois meses.
Ele chegou pouco tempo.
um ano não vejo Maria.

2. a, para indicar tempo futuro.

Ele retornará daqui a uma semana.
Encontrarei João daqui a um mês.


Senão/ Se não

Senão equivale a caso contrário. Observe:

Devemos entregar o trabalho no prazo, senão o contrato será cancelado.
Espero que faça bom tempo amanhã, senão não poderemos ir à praia.

Se não equivale a se por acaso não, inicia orações adverbiais condicionais.

Se não chover amanhã, poderemos ir à praia.
A festa será amanhã à noite, se não ocorrer nenhum imprevisto.


Mas/ Mais

Mas é uma conjunção adversativa e possui ideia de oposição. Pode ser substituído por: porém, contudo, todavia, entretanto, não obstante, no entanto. Observe:

Chegou cedo, mas não conseguiu entrar na sala de aula.
Comeu muito, mas continuou com fome.

Mais é um advérbio de intensidade, logo expressa ideia de quantidade, intensidade.

Quanto mais gente, melhor.
Era o mais aplicado da sala.
O time ganhou mais um jogo.

Atenção: um erro muito comum é utilizar o advérbio de intensidade MAIS no lugar da conjunção adversativa MAS. Para que esse erro não se repita, verifique se a palavra pode ser substituída por uma das outras conjunções citadas acima: porém, contudo, todavia, entretanto, não obstante ou no entanto. Em caso positivo, deve-se utilizar MAS em vez de MAIS. Cuidado, pois esse é um erro crasso e pode te prejudicar em redações para vestibulares, concursos ou entrevistas!


A fim de/ Afim

A fim de é uma locução prepositiva que indica finalidade. Observe:

Ele saiu cedo a fim de poder chegar a tempo.

Afim é adjetivo e significa semelhante, por afinidade.

O genro é um parente afim.
Tratava-se de ideias afins.


Acerca de/ Há cerca de

Acerca de é uma locução prepositiva, equivale a a respeito de.

Discutia-se acerca de uma melhor saída para o caso.

Há cerca de é uma expressão em que o verbo haver está indicando tempo transcorrido, equivalendo a faz.

Há cerca de uma semana, discutíamos uma melhor saída para o caso.


Demais/ De mais

Demais é advérbio de intensidade, equivale a muito.

Elas falam demais.

De mais é locução prepositiva, possui sentido oposto a de menos.

Não tinham feito nada de mais.

Observação: Demais pode ser usado como substantivo (virá precedido de artigo ou outro determinante), significando os restantes. Exemplo: Chamaram onze jogadores para jogar, os demais ficaram no banco.


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Sugestões, dúvidas, reclamações, por favor, fiquem à vontade para postar nos comentários! Trabalharei para que o próximo post seja sobre a reforma ortográfica. Até lá!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Uma breve explicação sobre o uso dos “porquês”.



O uso dos “porquês” é matéria complicada na mente da maioria dos falantes da Língua Portuguesa. Portanto, cá estou para tentar auxiliá-los da forma mais didática possível e, prometo, sem textos longos e cansativos.

Simples assim:

1. Por que (separado e sem acento)

Escreve-se por que separado (trata-se da preposição por seguida do pronome relativo que):

a. quando equivale a pelo qual e suas flexões.

Não consegui encontrar o caminho por que passei. (pelo qual passei)

b. quando depois dele vier escrita ou subentendida a palavra razão (trata-se da preposição por seguida do pronome interrogativo que). Se ocorrer no final da frase, deverá ser acentuado.

Por que razão você não foi à festa?
Por que ela não compareceu a reunião? (Por que razão/ motivo ela não compareceu à reunião?)
Não sabemos por que ela faltou. (Não sabemos por que razão/ motivo ela faltou.)
Você não veio por quê? (Você não veio por quê razão/ motivo?)

Fácil memorização. Aposto que nunca mais você vai utilizar “porque” (junto e sem acento) nos casos acima, certo?

Observação: A palavra que, quando estiver em final de frase, é um monossílabo tônico, portanto, deve ser acentuada graficamente.

“Você tem sede de quê?”

2. Porque (junto e sem acento)

Escreve-se porque (junto e sem acento) quando se tratar da conjunção explicativa ou causal. Nesse caso, geralmente, equivale a pois, uma vez que, para que.

Não responda, porque ela está com a razão. (Não responda, uma vez que ela está com a razão.)
Eles resolveram ficar porque já estava muito tarde. (Eles resolveram ficar pois já estava muito tarde.)

3. Por quê (separado e com acento)

O por quê (separado e com acento) é utilizado apenas quando a expressão aparecer em final de frase ou sozinha. Possuindo a mesma regra do “por que” – subentende-se, após sua escrita, os vocábulos motivo ou razão.

Portanto:

Ria, ria sem saber por quê (razão/motivo).
Brigou de novo? Por quê (razão/motivo)?
Você não veio por quê (razão/motivo)?

4. Porquê (junto e com acento)

Escreve-se porquê (junto e com acento) quando se tratar de um substantivo. Nesse caso, virá precedido de artigo ou outro determinante.

Diferentemente do por que (separado e sem acento) e do por quê (separado e com acento), que podem ser facilmente compreendidos por vocábulos subentendidos que os procedem, o porquê (junto e com acento) pode ser substituído pelas palavras motivo ou razão.

Ninguém entendeu o porquê da briga. (Ninguém entendeu o motivo da briga.)
Nem o próprio ministro sabe o porquê da inflação. (Nem o próprio ministro sabe o motivo da inflação.)
O diretor negou-se a explicar o porquê de sua decisão. (O diretor negou-se a explicar o motivo de sua decisão.)


Fácil? Em breve, mais problemas gerais da língua culta.



Gramáticas de apoio: William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, Ernani & Nicola e Hildebrando A. de Andrade.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Crase - Parte II - Em que situações ocorre a crase, afinal?

Anteriormente, foram listados os casos em que não ocorre crase. Mas, então, onde é que ocorre a crase?

1. SEMPRE ocorre crase:

a. Na indicação de número de horas, desde que, trocando-se o número de horas por meio-dia, obtenhamos a expressão ao meio-dia

Exemplos:

Chegou às sete horas. (Chegou ao meio-dia)
Saiu à uma hora em ponto. (Saiu ao meio-dia em ponto)

Mas em:

“Estou aqui desde as cinco horas.” não ocorre crase, porque teríamos “Estou aqui desde o meio-dia”. “Desde”, assim como “a” é preposição, não necessitando da contração preposição a + artigo a (crase), pois já temos preposição “desde” + artigo “a”.

Outro exemplo:

“Vou esperar apenas até as cinco horas.” (Vou esperar apenas até o meio dia)

Meio complexo? É preciso de prática. O truque de substituir as horas por “meio-dia” facilita muito a compreensão.

Vamos ao próximo caso?

b. Diante da palavra moda da expressão adverbial à moda de, mesmo que a palavra moda fique subentendida

Exemplos:

“Tinha um estilo à Machado de Assis.”
“Foi uma jogada à Pelé.”
“Quero uma pizza à moda da casa.”

c. Nas locuções adverbiais e conjuntivas formadas com palavras femininas (à tarde, à noite, às escuras, à vontade, à vista, às pressas, à medida que, à proporção que etc.)

Exemplos:

“Saiu à tarde, voltou à noite.”
“Caminhava às pressas pela rua.”
“À medida que caminhava, ficava mais cansado.”

Observações: Nas expressões adverbiais femininas, muitas vezes, ocorre o acento grave (`) sem que haja a crase, isto é, a fusão de dois “as”. Verifique:

“Comprei o carro à vista.”

Se trocarmos por um masculino correspondente, teríamos:

“Comprei o carro a prazo.”

Evidência clara de que na expressão “à vista” não ouve a fusão de dois “as”. Nesses casos, o uso do acento grave se justifica por uma questão de tradição da língua, ou para tornar o contexto mais claro, evitando-se ambiguidades.

Observe os exemplos a seguir:
“Chegou a noite.” (a noite = sujeito)
“Chegou à noite.” (sujeito implícito na desinência = ele(a))


2. Casos facultativos

Diante de certas palavras, o uso do artigo definido é facultativo; portanto, o uso do acento indicador da crase também será facultativo. Destaquemos dois casos:

a. Pronomes possessivos femininos:

“Fiz alusão a (ou à) minha amiga.”

b. Nomes femininos:

“Falei a (ou à) Lúcia que não iria.”

Observe que com essas palavras o artigo pode aparecer ou não.

Minha amiga saiu.  >     A minha amiga saiu.
Lúcia chegou.         >     A Lúcia chegou.


3. Crase com os Pronomes Demonstrativos: aquele(s), aquela(s) e aquilo

Haverá crase com os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo sempre que o termo antecedente exigir a preposição a.

“Iremos a aquele jogo.” > “Iremos àquele jogo.”
“Chegamos a aquela cidade.” > “Chegamos àquela cidade.”
“Fiz referência a aquilo.” > “Fiz referência àquilo.”

É claro que, se o termo antecedente não exigir a preposição a, não haverá a crase.

“Espero aquela oportunidade.”
“Conheço aquele aluno.”
“Comprei aquilo que você recomendou.”

4. Crase diante dos pronomes relativos a qual e as quais

Haverá a crase com os pronomes relativos a qual e as quais sempre que o verbo da oração que eles introduzem exigir a preposição a.

“A cidade à qual iremos possui praias às quais chegaremos.”

É fácil constatar que houve a crase, utilizando-se o artifício de trocar os termos femininos por masculinos correlatos. Observe:

“O lugar ao qual iremos possui recantos aos quais chegaremos.”

5. Crase com o pronome demonstrativo a(s)

Poderá ocorrera a crase da preposição a com o pronome demonstrativo a(s) que antecede o pronome relativo que.
Lembre-se de que a e as são pronomes demonstrativos quando equivalem a aquela(s).

“Esta roupa é semelhante à que comprei.”
“Suas opiniões são análogas às que eu dei.”

Você poderá constatar a ocorrência da crase utilizando-se do artifício mencionado de trocar os termos femininos por masculinos correlatos. Observe:

“Esse sapato é semelhante ao que comprei.”
“Seus pareceres são análogos aos que eu dei.”

Tranquilo até aqui?

Pois bem. Crase não é um bicho de sete cabeças. Vimos os casos em que a crase é terminantemente proibida e os casos em que a crase ocorre. Porém, fica claro que a regência do verbo é que dita, muitas vezes, se haverá ou não crase. Portanto, nossa próxima aula será sobre regência.

Regência é a parte da Gramática Normativa que estuda as relações entre os termos da oração, verificando se um termo serve de complemento a outro. O termo que exige o complemento é chamado de regente, enquanto o complemento é chamado de regido. Quando o termo regente é um verbo, dizemos tratar-se de regência verbal. Se o termo for um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), dizemos tratar-se de regência nominal.”

Ernani & Nicola

No caso da ocorrência de crase, precisamos saber se o verbo é transitivo direto (não exige preposição) ou se é transitivo indireto (exige preposição). E, em se tratando da crase, a preposição a.

Os casos principais e suas exceções serão listados no próximo post. Até lá!



Bibliografia de apoio: Ernani & Nicola, Celso Cunha & Lindley Cintra e Pasquale Cipro Neto. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Crase - Parte I

A pergunta que não quer calar:

Mas o que é a crase, afinal?

Esse bicho de sete cabeças que assusta, tira noites de sono e faz com que muitos alunos, inclusive da área de Letras, sejam reprovados em testes, provas, avaliações, vestibulares e afins.

Porém, fiquem tranquilos, cá estou para salvá-los dessa maldição!

A palavra crase nomeia a contração ou fusão da preposição a exigida pela regência do verbo ou do nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) com:

  • O artigo feminino a(s):
Ele não resistiu à pressão e demitiu-se.

  • Os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:
Por favor, encaminhe-se àquele balcão.

  • O pronome demonstrativo a(s):
Nossos atletas estão em condições semelhantes às dos americanos.


Ou seja, crase, amigos, nada mais é do que a contração do artigo “a” e da preposição “a”. Sendo assim: a + a = à. E, em alguns casos, com as iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), aquele(s), aquilo ou com o pronome relativo a qual (as quais).

Até aqui tudo bem?

Então...

Hoje veremos:

Em que situações NÃO ocorre crase?

1. Antes de verbo

Nunca, jamais, na história da Língua Portuguesa, foi permitido o uso da crase antes do verbo. Portanto, amigos, nada de:

“A partir de segunda-feira, não será permitida a entrada sem uniforme.”
“Começou a cantar após receber a notícia.”
“Não tenho nada a declarar.”

Não, não e NÃO! Observe os exemplos acima, não se usa crase antes de verbo. É expressamente proibido colocar crase antes do verbo, estamos entendidos?

Podemos ir para a próxima?


2. Antes de substantivos masculinos

Oras, mas se a crase é a junção da preposição “a” + o artigo “a”, não existe explicação para sua ocorrência antes de substantivos masculinos, certo?

Portanto, amigos, não há ocorrência de crase nas situações abaixo.

“Sujeito a guincho.”
“Viemos a pé.”
“Chegou vestida a caráter.”
“Gostava muito de andar a cavalo.”

Essa foi fácil!


3. Entre palavras repetidas

“Frente a frente”, “passo a passo”, “gota a gota”, “cara a cara”, “ponta a ponta” (poderia ficar citando infinitamente).

Eu sei, eu sei que você pensou que sim! Mas não, NÃO ocorre crase entre substantivos que se repetem.

Infelizmente, nenhum truque para lembrar, apenas tentem habituar-se à regra, ok?


4. Antes de pronomes

a. pessoais

“Entreguei as flores a ela.”

O “a”, acima, equivale a “para”, temos, portanto, apenas a preposição sem o artigo. E não, NÃO ocorre crase!

b. de tratamento

“Dirijo-me a Vossa Excelência (...)”
“Comunique a Vossa Alteza do ocorrido.”

Pasmem! Não, NÃO ocorre crase diante de pronomes de tratamento!

c. demonstrativos

“Nunca mais voltarei a esta escola.”
“Você vai sair a esta hora?”

Diante de “este”, “esta”, “isto”, “isso”, “esse”, “essa”.

Lá vem a “exceção”!

Pode ocorrer crase pela junção da preposição “a” + a primeira letra dos pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela” e “aquilo”.

Por exemplo:

“Diga àqueles (a + aqueles/ para aqueles) meninos que seus pais os procuram.”

Muito difícil? Bom, vamos para a próxima!

d. indefinidos

Muito, mas muito erroneamente usada, a crase antes de “todos” NÃO existe, vejam só:

“Comunico minha decisão a todos.”
“A todos, uma ótima semana.”

“Todos” é um pronome indefinido e, portanto, não ocorre crase diante desse vocábulo!

Outros exemplos:

“Faria isso a qualquer um.”
“Não diga isso a ninguém!”

Segue tabela básica com alguns pronomes indefinidos:








e. relativos (que, quem, cujo(a), quanto, onde)

“Era ela a professora a quem nos reportávamos.”
“A empresa a cujos diretores nos referíamos faliu.”

Atenção: Ocorre crase com os pronomes relativos a qualas quais.

“Essas eram as meninas às quais eu me referia.” (meninos aos quais eu me referia)

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Observação geral: Alguns pronomes admitem a anteposição do artigo feminino. Com esses pronomes, evidentemente, poderá ocorrer crase. Verifique:

“Fiz referência à mesma aluna”. (ao mesmo aluno)
“Isto pertence à senhora”. (ao senhor)


5. Antes de números cardinais

Aposto que por essa você não esperava!

Não, amigos, não ocorre crase diante de números cardinais, vejamos:

“Chegarei daqui a dez minutos.”

“Era um caso a três.”


6. Quando o a estiver no singular diante de uma palavra no plural.

Erro muito comum, preste atenção!

“Refiro-me a alunas estudiosas.
Não, no caso acima NÃO ocorre crase!


7. Antes do artigo indefinido “uma”.

“Ela foi a uma reunião de negócios.”

Não coloque crase antes do artigo indefinido “uma”. Simplesmente porque “uma” já é um artigo, sem necessidade de haver a contração preposição “a” + artigo “a”.

Tudo bem até aqui?


8. Antes da palavra “terra”, quando esta significar “terra firme” e/ou não estiver especificada.

“Após longa viagem pelos oceanos, retornamos a terra.”

Obs.: Quando “terra” significar o planeta “Terra”, ocorre crase.
Obs. 2: Quando a terra estiver especificada, ocorre crase. Ex.: “Voltei à terra de origem de meus bisavós.


9. Antes da palavra casa, quando não estiver especificada.

“Foi a casa.” “Voltou a casa.

Obs.: Quando a casa estiver especificada, aceita-se a crase.

“Fui à casa de meus avós.


10. Antes de nomes de cidades, estados países.

A maioria dos nomes de lugar repele o artigo; portanto diante deles não pode ocorrer a crase. Alguns nomes de lugar, no entanto, admitem o artigo feminino. Diante deles, evidentemente, poderá ocorrer crase. Para sabermos se um nome de lugar aceita ou não o artigo, há um artifício bastante difundido:

Utiliza-se um verbo que peça a preposição “de” ou “em” (vir, chegar ou estar, por exemplo). Se, ao utilizarmos um desses verbos, aparecerem as contrações “da” ou “na”, fica evidente que o nome de lugar aceita o artigo e, portanto, ocorrerá a crase, desde que o antecedente peça a preposição a. Observe os exemplos abaixo:

“Fui à Bahia.” (estou na Bahia, cheguei da Bahia)

“Dirijo-me à Itália. (estou na Itália, cheguei da Itália)

“Fui a Salvador. (estou em Salvador, cheguei de Salvador)

“Dirijo-me a Roma. (estou em Roma, cheguei de Roma)


Basicamente “Vou a, volto da, crase no a! Vou a, volto de, crase para quê?” a velha rima que nos ajuda a memorizar mais facilmente a regra.



Os casos acima são os principais casos em que as pessoas cometem o erro crasso de colocar crase. Aliás, os incidentes de crase onde não existe são mais frequentes do que os esquecimento desta em sua ocorrência. Vamos memorizar, nos ajudar e fazer da internet um lugar gramaticalmente melhor! 

Em breve: onde, afinal, ocorre a crase e alguns casos facultativos.

Resumo criado com a colaboração das gramáticas de: Celso Cunha e Lindley Cintra, Ernani & Nicola, William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães, Hildebrando A. de André e, claro, Pasquale Cipro Neto.