Anteriormente, foram listados os casos em que não ocorre
crase. Mas, então, onde é que ocorre a crase?
1. SEMPRE ocorre crase:
a. Na indicação de
número de horas, desde que, trocando-se o número de horas por meio-dia, obtenhamos a expressão ao meio-dia
Exemplos:
“Chegou às sete horas.” (Chegou ao meio-dia)
“Saiu à uma hora em ponto.” (Saiu ao meio-dia em ponto)
Mas em:
“Estou aqui desde as cinco horas.” não ocorre crase, porque
teríamos “Estou aqui desde o meio-dia”. “Desde”, assim como “a” é preposição,
não necessitando da contração preposição a + artigo a (crase), pois já temos
preposição “desde” + artigo “a”.
Outro exemplo:
“Vou esperar apenas até as cinco horas.” (Vou esperar apenas
até o meio dia)
Meio complexo? É preciso de prática. O truque de substituir
as horas por “meio-dia” facilita muito a compreensão.
Vamos ao próximo caso?
b. Diante da palavra moda da expressão adverbial à moda de, mesmo que a palavra moda
fique subentendida
Exemplos:
“Tinha um estilo à Machado de Assis.”
“Foi uma jogada à Pelé.”
“Quero uma pizza à moda da casa.”
c. Nas locuções
adverbiais e conjuntivas formadas com palavras femininas (à tarde, à noite, às
escuras, à vontade, à vista, às pressas, à medida que, à proporção que etc.)
Exemplos:
“Saiu à tarde, voltou à noite.”
“Caminhava às pressas pela rua.”
“À medida que caminhava, ficava mais cansado.”
Observações: Nas expressões adverbiais femininas, muitas
vezes, ocorre o acento grave (`) sem que haja a crase, isto é, a fusão de dois
“as”. Verifique:
“Comprei o carro à vista.”
Se trocarmos por um masculino correspondente, teríamos:
“Comprei o carro a prazo.”
Evidência clara de que na expressão “à vista” não ouve a
fusão de dois “as”. Nesses casos, o uso do acento grave se justifica por uma
questão de tradição da língua, ou para tornar o contexto mais claro,
evitando-se ambiguidades.
Observe os exemplos a seguir:
“Chegou a noite.” (a noite = sujeito)
“Chegou à noite.” (sujeito implícito na desinência = ele(a))
2. Casos facultativos
Diante de certas palavras, o uso do artigo definido é
facultativo; portanto, o uso do acento indicador da crase também será
facultativo. Destaquemos dois casos:
a. Pronomes
possessivos femininos:
“Fiz alusão a (ou à) minha amiga.”
b. Nomes femininos:
“Falei a (ou à) Lúcia que não iria.”
Observe que com essas palavras o artigo pode aparecer ou
não.
Minha amiga saiu.
> A minha amiga saiu.
Lúcia chegou.
> A Lúcia chegou.
3. Crase com os
Pronomes Demonstrativos: aquele(s), aquela(s) e aquilo
Haverá crase com os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo sempre
que o termo antecedente exigir a preposição a.
“Iremos a aquele
jogo.” > “Iremos àquele jogo.”
“Chegamos a aquela
cidade.” > “Chegamos àquela
cidade.”
“Fiz referência a aquilo.”
> “Fiz referência àquilo.”
É claro que, se o termo antecedente não exigir a preposição
a, não haverá a crase.
“Espero aquela oportunidade.”
“Conheço aquele aluno.”
“Comprei aquilo que você recomendou.”
4. Crase diante dos
pronomes relativos a qual e as quais
Haverá a crase com os pronomes relativos a qual e as quais
sempre que o verbo da oração que eles introduzem exigir a preposição a.
“A cidade à qual
iremos possui praias às quais
chegaremos.”
É fácil constatar que houve a crase, utilizando-se o
artifício de trocar os termos femininos por masculinos correlatos. Observe:
“O lugar ao qual
iremos possui recantos aos quais
chegaremos.”
5. Crase com o pronome
demonstrativo a(s)
Poderá ocorrera a crase da preposição a com o pronome
demonstrativo a(s) que antecede o
pronome relativo que.
Lembre-se de que a e as são pronomes demonstrativos quando
equivalem a aquela(s).
“Esta roupa é semelhante à que comprei.”
“Suas opiniões são análogas às que eu dei.”
Você poderá constatar a ocorrência da crase utilizando-se do
artifício mencionado de trocar os termos femininos por masculinos correlatos.
Observe:
“Esse sapato é semelhante ao que comprei.”
“Seus pareceres são análogos aos que eu dei.”
Tranquilo até aqui?
Pois bem. Crase não é um bicho de sete cabeças. Vimos os
casos em que a crase é terminantemente proibida e os casos em que a crase
ocorre. Porém, fica claro que a regência do verbo é que dita, muitas vezes, se
haverá ou não crase. Portanto, nossa próxima aula será sobre regência.
“Regência é a
parte da Gramática Normativa que estuda as relações entre os termos da oração,
verificando se um termo serve de complemento a outro. O termo que exige o
complemento é chamado de regente, enquanto o complemento é chamado de regido. Quando
o termo regente é um verbo, dizemos tratar-se de regência verbal. Se o termo for um nome (substantivo, adjetivo ou
advérbio), dizemos tratar-se de regência
nominal.”
Ernani & Nicola
No caso da ocorrência de crase, precisamos saber se o verbo é
transitivo direto (não exige preposição) ou se é transitivo indireto (exige
preposição). E, em se tratando da crase, a preposição a.
Os casos principais e suas exceções serão listados no próximo
post. Até lá!
Bibliografia de apoio: Ernani & Nicola, Celso Cunha
& Lindley Cintra e Pasquale Cipro Neto.
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